Fred chegou numa tarde prontinho para ser dado ao meu irmão de aniversário, com a promessa de que era uma Calopita macho e que cantaria sem párar. Ledo engano, os meses passaram e nada do machinho aprender nem se quer um simples assobio. O único som que saia do bico dele era béééé, tuuuuio, e piiiiiiiiiu. Foi então que chegamos a conclusão de que Fred era mesmo Frederica.
Acontece que a Frederica cresceu, engordou, ficou mal humorada pacas, e numa das suas crises de mal humor, fugiu por uma das janelas de nosso apartamento. Isso fez com que minha família e todo o bairro saísse numa missão de resgate em busca do pássaro perdido. Um fim de semana inteiro perdido correndo atrás de um animal que voava na altura de um prédio de 50 andares e nós, pequenos seres andantes, correndo de um lado para o outro a berrar: "Pepeta, volte para casa!".
Lembro-me que uma vez um amigo meu disse que o cérebro desses pássaros é só uma aguinha pastosa, e que de espertos eles não tem nada.
E veja bem, a Frederica nunca soube falar, mas naquelas tardes em que ficou perdida ficou sobrevoando nosso prédio sem saber ao certo em qual janela ela deveria entrar. Daí percebi que de burra ela não tinha nada, pois poderia ter ido até o outro lado da cidade mas sabia que sua casa era por alí.
Frederica voltou para casa no dia seguinte ferida e faminta, mas nunca mais colocou o bico pra fora novamente.
Para salvar seu tédio, minha mãe um dia apareceu com Jean Pierre, crente de que aquele sim era macho só porque fazia um som engraçadinho muito diferente da Frederica.
Três meses se passaram e Jean Pierre só fala bééé, tuuuio e piiiiu, exatamente como a outra. Os dois dão um trabalho danado e brigam muito, e até hoje não sabemos qual das duas é o macho, se as duas são meninas, um verdadeiro mistério.


Essa daí é a Frederica. Fico devendo uma fotinho do Pierre. Essa semana juro que lembro de postar!